Filhos são investimentos de longo prazo?



Eu estava almoçando com dois colegas de trabalho sob o bombardeio de notícias a respeito da situação política e econômica do país. Sentado à minha frente estava Alfredo, com a expressão sempre animada, comentando sobre o investimento que está fazendo para o filho que acabou de completar dois anos de idade.

- Todo mês, eu compro algumas ações para o moleque. São três excelentes empresas e duas com potencial de crescimento fantástico. Se eu administrar bem a carteira, há uma grande chance de, daqui a uns vinte anos, Alfredinho estar bem melhor do que nós três.

Após pausa para uma boa garfada Alfredo continuou explanando sobre a estratégia de investimento que traçou. Subitamente, apontando a faca para cada um de nós, foi imperativo:

- Façam a mesma coisa por seus filhos. Façam algum investimento para eles.

Jorge logo rebateu:

- Cara, meu dinheiro só dá para comer e pagar a escola dos meninos. A mesada dos meus pais é sagrada e se no final do mês sobrar alguma coisa, eu pago mais algumas continhas. Vivendo desse jeito dá para se fazer algum investimento?

Desprevenido, fui pego pelo olhar inquisitório de Alfredo. Com certeza estava esperando algum pronunciamento que também o contradissesse para ter a oportunidade de mandar todo mundo ir pastar, como era do seu feitio.

- Seus muquiranas, não me venham com conversinha fiada. Gente, acordem, são os filhos de vocês. Vocês não gostariam de vê-los bem financeiramente?

- É claro, Alfredo. É o desejo de todos os pais verem os filhos felizes e financeiramente tranquilos.
Retruquei prontamente.

- Pois bem, então abra teu coração, the top dog da ordem dos “Mãos de Vaca”. Porque ainda não montou uma carteira de investimentos para seus filhos?

Depois de breves risadas, tomei um gole de suco e comecei a explanar meu ponto de vista.

- De que adiantará fazer uma poupança para os meninos se no futuro forem obrigados a nos sustentarem? De certo eu e minha esposa seríamos um entrave na evolução patrimonial deles. Sem dúvidas estaríamos contribuindo fortemente para o atraso nas suas caminhadas rumo à independência financeira.

Alfredo havia começado a me olhar meio torto. Dono de uma perspicácia aguçada, já imaginava aonde chegaria a conversa. Mas o ignorei e continuei colocando meu ponto de vista.

- Nos convenhamos, depois de certa idade seremos fonte de elevadas despesas como plano de saúde, clínicas particulares, remédios, lazer, e mais um monte de coisas. Então, melhor que elaborarmos uma carteira de investimento para os filhos, deveremos reforçar os nossos investimentos para que no futuro não dependamos da ajuda deles.

- Meu caso não é segredo, 30% do meu salário vão para os meus pais todo santo mês. E isto já dura uns 15 anos. Imaginem se essa grana tivesse ido para minha conta de investimento?

- Você deixaria seus pais na pior, Jorge?

- Claro que não, Alfredo. Por alguns motivos eles não conseguiram conquistar a liberdade financeira para viverem dignamente nos dias de hoje. Eu tenho o dever de provê-los e o faço sem pestanejar.

Respondeu Jorge um pouco rispidamente, e ainda completou:

- O melhor que eu faço para os meus filhos é dar lhes uma boa educação. Disso eu não abro mão. Mostrar-lhes que existem vários caminhos para serem felizes e independentes.

- Vocês estão certos, caros colegas, conseguiram abrir os meus olhos: minha esposa e eu teremos que planejar mais uns três filhos, assim as despesas para nos bancarem ficarão divididas entre os quatro e então, pesaremos menos em seus orçamentos.

Alfredo não perdeu a oportunidade de soltar uma de suas ironias. Jorge conferiu rapidamente as horas no relógio e nos lembrou de que deveríamos retornar ao escritório.

Ao passar por entre as mesas do restaurante não pude deixar de perceber que as notícias relacionadas à situação política e econômica do país ainda estavam aflorando da TV. A nossa situação não se apresentava nada boa: elevados índices de desemprego, PIB cada vez menor, inflação que não dá trégua... Tudo isto me fez refletir: qual o tamanho do impacto desta deterioração político-econômica do país não somente no meu projeto mas também nos projetos de outras pessoas para se chegar à independência financeira?

4 comentários:

  1. G65

    Seguinte : primeiro nossa IF, mas como tenho fortes ligações familiares penso que é nosso dever dar todas as condições de estudo para eles, e se possível gerar valores para eles também.

    No meu planejamento a partir dos dez anos de idade de meu filho vou dividir os meus investimentos com investimentos em nome dele...

    A intenção é livrar essa parte do dinheiro do imposto de doacao ou pior ainda do gigantesco imposto de inventário

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    1. Guardião, é nosso dever dar uma boa educação para os filhos e vou além, no nosso caso é questão de honra inicia-los na boa educação financeira. Melhor se nos planos para seu futuro já tiver incluído o filho participando de investimentos.

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  2. Para mim filho não é custo nem investimento.
    Tenho uma filha e terei em maio (ou abril mesmo) um filho.
    Minha filha já tem TD (aproximadamente 35 mil aportados - 71 mil considerando a data de saque). Será aplicado na sua faculdade de medicina.
    Farei o mesmo para o que virá. Já avisei minha filha que pagarei sua faculdade de medicina. Se ela optar por outro curso, ela que se vire. kkkkkkkkkkkkkkk

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    1. Kkkkk

      Você me fez lembrar do meu colega de trabalho, o Alfredo. Ele tem umas tiradas bem divertidas. É uma pessoa inteligente e divertida.

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