O primeiro título protestado a gente nunca esquece

By 28.11.16 , ,


Era um daqueles dias agitados no qual almoçar era uma ação secundário. Eu estava imerso em um trabalho que me consumia o juízo e, como se não bastasse, eu ainda precisava realizar um empréstimo bancário para quitar uma dívida que venceria em um futuro próximo, caso contrário o rombo no orçamento seria enorme. Imaginem como estava a minha cabeça.

Fui ao banco no final da tarde para conversar com o gerente e depois de um minuto de prosa, ele consultou alguns dados que saltaram do monitor do PC. Após alguns segundos o gerente franziu a testa e voltando-se calmamente para mim proferindo a sentença:

- Você está impedido de pegar empréstimo. Provavelmente há algum título protestado em seu nome.

Que balde de água fria! Era o que me faltava. Que títulos eram estes?

No dia seguinte, liguei para as administradoras dos condomínios onde estão localizados os meus imóveis, afinal, os únicos títulos que estão em meu nome são os boletos de pagamento da taxa de condomínio. Após algumas ligações, a funcionária de uma das administradoras relatou-me que já fazia oito meses que as taxas de condomínio do apartamento SN5202 não estavam sendo pagas e em função disto os títulos foram protestados. Que bomba! Eu estava tremendamente chateado, pois além da péssima notícia eu simplesmente estava sem crédito na praça justamente na hora em que eu mais precisava.

A dívida com o condomínio era um fato inquestionável, porém decidi enviar um e-mail para a administradora de condomínios expressando a minha profunda decepção com a atitude tomada por ela e o síndico uma vez que nem ao menos se preocuparam em comunicar-me o fato. Foi por força de um tremendo acaso que eu descobri que estava devendo ao condomínio. Deixei bem claro que o constrangimento diante da situação foi muito grande, afinal, nunca fui acusado de caloteiro e que por coincidência eu estava no banco para resolver o pagamento de uma dívida que estava prestes a vencer.

Eu sei que o protesto em cartório contra o devedor de taxa de condomínio e inclusão de seu nome no sistema de proteção ao crédito (SPC) são ações amparadas na lei federal e na lei de alguns estados, porém, em minha opinião, esse deveria ter sido o último passo a ser dado pelo síndico e empresa administradoras de condomínio. O processo de cobrança simplesmente foi falho, pois, antes de se chegar ao ápice penso que algumas ações deveriam ter sido seguidas.

Penso que no boleto de cobrança bancária da taxa de condomínio deveria estar impresso um aviso que após tantos dias do vencimento a cobrança seria envidada para o cartório de protesto. Porque esperaram oito meses para protestar os títulos? Isto poderia ter sido feito até no dia seguinte ao vencimento dos boletos. Embora não seja obrigatório, teria sido mais prudente enviar-me um comunicado por escrito sob o protocolo de entrega, ratificando que a cobrança da dívida seria enviada para cartório de protesto caso não fosse paga nas próximas 72 horas, por exemplo. Pois bem, não me fizeram nem ao menos uma ligação telefônica ou me enviaram e-mail. Enfim, não tive chance de negociar o pagamento da dívida propondo uma solução amigável. E mais, eles nem sabiam se eu estava passando por um momento de dificuldades financeiras ou se eu estava afundado em um monte de contas, procurando colocar as finanças nos trilhos. E se eu já tivesse sido protestado por outras dívidas? Um protesto a mais ou a menos, dependendo da situação, não faria a menor diferença.

Para muitos administradores de condomínio o protesto parece ser mais eficaz, pois tira o crédito do devedor, porém, se não for bem conduzido o “condomínio” poderá ter que enfrentar uma ação indenizatória por danos morais. Eu sempre tive em mente que negociações se fazem na base do olho no olho, quando possível, ou então falando firme no pé do ouvido, munido de bons argumentos.

Devido aos quilômetros de distância que me separam da sede da administradora do condomínio, liguei para a responsável pela empresa e a solicitei que me enviasse, de imediato, um boleto com o valor total da dívida, porém sem juros. Explanei para ela os motivos do não pagamento das taxas do condominio, como descobri que estava inadimplente e o motivo da formatação da proposta de pagamento. O acordo foi aceito sem pestanejar, afinal era o dinheiro na mão e o reconhecimento da grande bobagem que cometeram na condução das ações para a cobrança da dívida.

Tudo resolvido com o condomínio - dívida paga e um rombo inesperado em minha conta bancária. Restou-me cobrar do inquilino explicações e exigir o pagamento do que ele está me devendo. O não pagamento da taxa de condomínio pelo inquilino é mais um dos riscos em se investir em imóveis para aluguel. Mas, afinal, porque as taxas de condomínio não foram pagas?


Não sei qual o principal motivo que levou o inquilino a deixar de pagar as taxas de condomínio por tanto tempo. Mas, o fato era que eu não queria ficar no prejuízo. Essa história em conto no artigo: O inquilino perfeito! Perfeito?




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