Trabalhar duro te deixa rico?


Minha rotina de trabalho é bem rígida: literalmente pulo da cama às seis horas em ponto, faça sol ou faça chuva; pego o ônibus as sete e inicio minhas atividades trinta minutos depois. Após o período de trabalho, impreterivelmente as dezoito e trinta estou entrando em casa celebrando o início da noite. É uma “beleza” seguir esta rotina ano após ano, durante algumas décadas, não acham? Nessas doze horas e trinta minutos de labuta diária cria se a sensação de que o dia é muito curto para tantas tarefas: discussões, reuniões, decisões, viagens e etc..

O que deve ficar bem claro é que esta rotina, que me consome pelo menos doze horas, é voltada para melhorar o desempenho da empresa que evidentemente tem um ou mais donos. Faço parte de um grupo de dezenas, milhares, bilhões de pessoas que dão o sangue para bater as metas de produção, redução de custo, redução do índice de acidentes, elevação do lucro líquido das empresas e por aí vai. Em essência estamos todos trabalhando em prol de elevar a riqueza dos donos do negócio e em troca recebemos uma pequenina parte da riqueza gerada sob a forma de salário.

A grande maioria das pessoas passa uma vida inteira nesta rotina, recebendo uma remuneração que muitas vezes se perde ao longo do mês por falta de uma mínima gestão das finanças da família. Ao final do ciclo profissional onde passam a ser consideradas “inativas”, elas não têm condições de sobreviverem por conta própria e ficam na dependência do governo e de parentes para garantirem as próprias subsistências. Fato muito triste que já ví acontecer com muitos conhecidos. E os donos das empresas? A maioria fica mais rica com o passar dos anos.

Não vejo nada de errado no que foi dito até o momento, afinal, quem é dono do capital faz com que ele trabalhe a seu favor, aumentando o seu patrimônio e renda. É uma pena que a maioria de nós não cogita estar, um dia, do outro lado da mesa. Acumular de maneira lícita, ao longo dos anos de trabalho, um capital para iniciar o seu negócio próprio ou investir, de maneira inteligente, no mercado financeiro. Este é o passaporte para nos tornarmos empresários e contratarmos pessoas capacitadas para nos ajudar em nosso projeto de acumulo de riqueza em troca de uma fatia desta riqueza gerada. Ou ainda teremos a opção de simplesmente viver da renda proveniente do capital investido ao longo dos anos.

É um belo sonho, mas torná-lo uma meta não é tarefa fácil. A primeira dificuldade é aceitar o fato de que ser empregado pelo resto da vida, sem a destinação correta de uma parcela do salário, não nos levará à riqueza alguma. Durante a vida de empregado temos que estudar e entender o nosso negócio futuro, mas não nos enganemos, estes são estudos secundários, pois durante anos estudamos e nos especializamos em assuntos relacionados ao nosso trabalho, nossa principal fonte de renda até então, afinal, temos que saber como tornar o patrão mais rico. E por fim, depois de alguns anos ou décadas, finalmente poderemos decidir qual rumo tomar: continuar trabalhando, abrir o negócio próprio ou viver de renda.

Se não nascemos em berço de ouro e pretendemos não depender de outros para sobrevivermos quando atingirmos a “melhor idade”, temos que suar a camisa. Enquanto enriquecemos o patrão, temos que traçar os nossos projetos e executá-los para no futuro termos opções de como levar a vida de maneira digna. Já faz alguns anos que estou executando o meu projeto. Em alguns momentos me desanimo, em outros corro demais e cometo erros e atropelos a ponto de ter que revisar o plano. Mas isto é normal, o que importa é não desistir do projeto pessoal. E vocês, como estão em seus projetos?


13 comentários:

  1. Existem milhões de pessoas trabalhando duro, e que não passam nem perto da IF.
    Um bom resultado financeiro depende muito mais das escolhas profissionais, escolhas de vida e cultivo de hábitos construtivos do que trabalhar duro ou não.

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    1. Olá, anônimo.

      É isto mesmo. Chegar à independência financeira não é fácil pois, dependerá das boas escolhas que fazemos durante a vida.

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  2. Olá G65! É por aí mesmo, as pessoas precisam pensar mais em "liberdade". É justamente por não refletir no significado mais profundo dessa palavra, acabam por, na maioria das vezes involuntariamente, serem "escravos" pelo resto de suas vidas!

    Grande abraço!

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    1. Olá, André.

      Além de não fazerem uma boa reflexão sobre o significado de "liberdade", muitas pessoas têm a relação com o dinheiro pautada por frases como: dinheiro não traz felicidade, ou pessoas ricas são gananciosas e por aí vai. Estas pessoas são condicionadas a não caminharem em direção à liberdade financeira, uma pena.

      Abraços!

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  3. G65, uma coisa que eu não conseguiria fazer, é continuar trabalhando muito, depois de atingir a IF.

    Será que me falta ambição? O que esses grandes empresários e banqueiros pensam da vida deles? Abílio Diniz, Flávio Augusto, Andre Esteves.

    Será que eles não conseguem ver graça em curtir mais a vida, em vez de querer criar cada vez mais? Será que é mais pelo ego?

    Não estou criticando eles, apenas chama minha atenção, o fato de eles gostarem tanto de trabalhar, continuar abrindo lojas, filiais. Eu sou mais investidor mesmo, gosto de alocar recursos nas empresas que considero boas, e deixar os outros fazerem o trabalho.

    Claro que o trabalho deles não é operacional, é mais estratégico, mas mesmo assim, eu seria um Warren Buffett da vida.

    É só comprar participações e esperar os resultados.

    Abraço

    Pretorian

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    1. Olá, Pretorian.

      Penso que os grandes empresários são antes de tudo grandes empreendedores e como tal têm verdadeira paixão pelo que fazem. Por isto são workaholics, normalmente a família não está em primeiro lugar e não existe final de semana ou início de semana, existe simplesmente uma atividade a ser executada independentemente do dia da semana. Enfim, boas idéias, planos, etc podem surgir num domingo de sol ou durante uma viagem de "férias".

      Como a paixão pelo empreendimento move estas pessoas, eles simplesmente fazem seus sonhos virarem realidade e por incrível que pareça, não está no plano inicial alguma mega empresa, uma holding ou uma trilhonária start up. As coisas vão acontecendo e obviamento o patrimônio vai se multiplicando numa velocidade incrível. Por exemplo, Flavio Augusto, fundador da rede de escola de inglês Wise Up imaginou originalmente estar no patamar onde se encontra atualmente? Ou Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, planejou ter nas mãos um negócio bilionário? Provavelmente não, mas a paixão os levou juntamente com seus "seus sonhos" ao nível financeiro onde estão hoje.

      Portanto, penso que o que falta para você ou para mim é a verdadeira paixão pelo que fazemos. Isto não é ambição. No dia em que nos apaixonarmos por algum projeto pé no chão, esqueceremos muitos domingos, os dias terão poucas horas... estaremos nos tornando aptos a entrar para o grupo dos verdadeiros empreendedores.

      Você não acha que Warren Buffett, apesar de vender uma imagem de uma pessoa que leva a vida tranquila, tomando sorvete e só vivendo de dividendos, não pertence ao mesmo grupo de Abílio Diniz, Flávio Augusto ou Jorge Paulo Lemann?

      Abraço!

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    2. Boa noite G65, obrigado pela resposta!

      Realmente, eles têm paixão, são pessoas que trabalham demais, e fazem o que tiver que fazer, para tirar seus planos do papel.

      Eu invejo isso, mas no momento não é pra mim (e não sei se algum dia será).

      Olha, de coração, eu quero realmente encontrar "algo" que eu ame muito fazer. Nunca tive esse estalo que eles dizem, de estar diante de uma grande oportunidade, fazer o escritório crescer 200% ao ano. Trabalho com projetos elétricos, porque foi o que surgiu pra mim e eu fui crescendo nisso (nunca trabalhei com outra coisa, mesmo sabendo que o crescimento de um engenheiro autônomo é muito limitado, o crescimento vem mais por indicação)

      Até hoje, eu meio que criei as oportunidades, juntei dinheiro para comprar um terreno, estou pagando meu apartamento, e continuo trabalhando e investindo em ações e fiis. Levo uma vida nada demais.

      Já pensei muitas vezes, o que eu poderia fazer? Abrir uma sorveteria, farmácia, restaurante, pizzaria, posto de combustível?
      Tipo simplesmente não consigo me ver atrás de um balcão atendendo pessoas.

      Você também pensa/pensou muito nisso?

      Não criei identidade com nenhum ramo específico. Ainda gosto de ser autônomo pois não é trabalho fixo, trabalho por serviço e não preciso cumprir horário.

      Creio que quando atingir uma renda passiva mensal que me dê segurança (2 a 3k), vou ficar tranquilo, fazendo projetos, vivendo e investindo, e espero no futuro construir nesse terreno que comprei, para vender ou até mesmo alugar.

      Creio que Buffett é sim, do mesmo time do Abílio e Flávio Augusto. Mas ele é um investidor, não empresário. Ele não administra as empresas que investe, apenas administra o capital a ser investido.

      Mas ele é um caso à parte, pegou outro tempo, em outra economia, a geração de caixa que ele tinha no início dos investimentos, era muito grande, difícil alguém bater ele, sendo apenas investidor.

      Abraço!

      Pretorian

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  4. Só pra completar meu comentário.

    Será que eles não possuem hobbies?
    Surfar, andar de bicicleta, praticar esportes, boxe

    Att,

    Pretorian

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    1. Pretorian,

      provavelmente cultivam algum tipo de hobbie: golfe, velejar, carros possantes... alguns já foram até excelentes atletas como Jorge Lemann. Não importa se os hobbies são caros ou baratos, mas sempre têm uma maneira de se desestressarem.

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  5. caminhando rumo minhas metas...ta dificil mas é isso ai,segue o jogo

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    1. Olá, Veterinário.

      Mantendo a disciplina e perseverança com certeza as chances de atingir a meta aumentam muito. Vamos em frente.

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  6. Opa boa noite, mudando um pouco de assunto, como vai a loja de roupas? Estou pensando em abrir uma aqui onde moro.

    Cidade com 200.000 habitantes, pretendo abrir ano que vem, uma loja masculina.

    É um bom negócio, ou difícil competir e fechar as contas no fim do mês?

    Obrigado pela atenção

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    1. Olá, Anônimo 21:41.

      Eu não abrí a loja de roupas ainda. O momento não está nem um pouco favorável. Na minha cidade, somente neste semestre, sete lojas foram fechadas e percebo que as outras estão tendo um pouco de dificuldade para fecharem as contas. Vou esperar um momento político e econômico melhor para retirar a idéia do papel. Enquanto isto vou sondando bons pontos, o potencial cliente e imaginando o diferencial que poderei oferecer na loja, que atraia o público que pretendo.

      Na minha cidade vestuário tem chance de ser um bom negócio e é muito competitivo, por isto, quando eu for abrir uma loja ela não deverá ser mais uma loja de roupas femininas e sim "A loja" que além de vender roupas oferece os serviços X e Y e oferece uma boa comodidade para o cliente, detalhe que percebí não existir muito por aqui.

      Você deverá avaliar se abrir uma loja de roupas masculinas em sua cidade é um bom negócio. Ande pelas lojas com visão bem crítica e perceba seus pontos fortes e pontos fracos. Converse com os clientes destas lojas porque eles te oferecerão de bandeja idéias que você poderá agregar à sua loja. Um dos principais fatores de sucesso da loja é o bom ponto. Escolha muito bem o ponto.

      Eu sugiro que você faça um bom plano de negócio e conte com ajuda profissional para avaliar o seu projeto. O Sebrae poderá ser um bom ponto de apoio.

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